10 de novembro de 2009

Dever

Cumpri todos meus compridos deveres. E como demoraram. Tentei tudo quanto achei necessário. Fiz mais que o meu possível. Me esmerei, pelejei. Como se não bastasse, foi inútil.

Foram desnecessários meus desgastes, minhas provas de amor, léxico onde coloquei e coloco todos os pedaços do meu coração à mostra, para quem quisesse ver.

Todo dia algo acaba, ao passo que hoje me sentei para tomar um café de fim de tarde, porque café é algo que se pode tomar sozinha, sem que remonte à deprimente cena de se tomar uma cerveja sozinha, num bar. Tomei meu café e observei o dia acabar. Observei o gosto sair da boca, a chuva fina que começou a cair sobre a cidade.

Pensei em três anos da minha vida e atestei que o gosto acaba. Não sem antes deixar um ranço ou um gosto de quero mais ou os dois. Depois, o gosto acaba. Com sensação de ter sido longo, dolorido, colorido em uma escala de cinza à vermelho, porque do branco de xícara ao preto do café não serviram para nós.

Com uma sensação de fracasso em sintonia com a superação de todos os limites de alguém que ama, sina de quem quer romper as amarras que ainda me prendiam a você, todos os nossos laços imaginários, desfeitos.

E quanto a este vazio, eu darei um jeito.

“Para estar junto não é preciso estar perto, e sim do lado de dentro”. Leonardo DaVinci

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