Deve ser coisa de mulherzinha escrever como uma mulherzinha. Assim, tão subjetivo, tão fluído. Acho que nunca fui palpável, nem por um momento, nestes meus textos de mulherzinha.
Não falo de esmaltes, cabelos, cores da moda, não. Quase sempre escrevo, quase sempre em primeira pessoa, sobre um sentimento que nem sei qual é, sobre pessoas que não sei quem são.
Daí me vem esta vontade de levar um soco no estômago de vez em quando. Porque assim o sentimento é real, não é esta coisa com que fico imaginando, delirando às vezes.
O sentir é bem masoquista quando é palpável, como um soco no estômago, como um tão bem dito não que chega a ser maldito.
Acho que vou ser sempre a mulherzinha que espera por bilhetes dentro de livros, que espera por surpresas consciente do quanto a vida pode ser previsível.
Pelo menos já não sou a mulher que espera por você.
E encontrar uma florzinha seca no meio de um livro, e andar pela rua comendo maçã à sombra das acácias, e dar um soco no estômago de quem nos fez esperar...
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