25 de novembro de 2009

O Bilhete

Deve ser coisa de mulherzinha escrever como uma mulherzinha. Assim, tão subjetivo, tão fluído. Acho que nunca fui palpável, nem por um momento, nestes meus textos de mulherzinha.
Não falo de esmaltes, cabelos, cores da moda, não. Quase sempre escrevo, quase sempre em primeira pessoa, sobre um sentimento que nem sei qual é, sobre pessoas que não sei quem são.
Daí me vem esta vontade de levar um soco no estômago de vez em quando. Porque assim o sentimento é real, não é esta coisa com que fico imaginando, delirando às vezes.
O sentir é bem masoquista quando é palpável, como um soco no estômago, como um tão bem dito não que chega a ser maldito.
Acho que vou ser sempre a mulherzinha que espera por bilhetes dentro de livros, que espera por surpresas consciente do quanto a vida pode ser previsível.
Pelo menos já não sou a mulher que espera por você.

21 de novembro de 2009

Ouça-me bem, amor

Peguei uma cerveja, um potinho com azeitonas e fui pra frente da televisão.
Com os estudos dos últimos tempos nem me dei conta do meses que passaram, já é novembro, final de novembro, especificamente.
Na quinta o Cazuza me apareceu e me emocionou. Como quando eu ganhei o LP "O tempo não pára" que ainda tenho e é um tipo de álbum branco dos Beatles para mim.
E o Cazu fez tudo que queria e morreu porque sofria de uma espécie de amor inefável, um ódio pela vida. Só virou poeta porque viveu à beira do abismo que "cavou com os próprios pés".
Fiquei pensando nisto, não bebi toda a cerveja porque ele me deu uma vontade de abstinência, vontade de deixar tudo esquentar, deixar o tempo correr.
E o tempo voltou para que eu pudesse lembrar de quem eu sou, das rodas de violão do colegial e do Cazuza que só eu e o paquerinha sabíamos as letras, do LP que meu primo gravou em K7 porque não tinha agulha na vitrola, mas que eu ouvia com o encarte nas mãos e de quando eu descobri que só as mães são felizes e que os destinos podem sim, se cruzar em uma maternidade.
Chorei só porque não quero ver o mundo tão mesquinho assim...


10 de novembro de 2009

Dever

Cumpri todos meus compridos deveres. E como demoraram. Tentei tudo quanto achei necessário. Fiz mais que o meu possível. Me esmerei, pelejei. Como se não bastasse, foi inútil.

Foram desnecessários meus desgastes, minhas provas de amor, léxico onde coloquei e coloco todos os pedaços do meu coração à mostra, para quem quisesse ver.

Todo dia algo acaba, ao passo que hoje me sentei para tomar um café de fim de tarde, porque café é algo que se pode tomar sozinha, sem que remonte à deprimente cena de se tomar uma cerveja sozinha, num bar. Tomei meu café e observei o dia acabar. Observei o gosto sair da boca, a chuva fina que começou a cair sobre a cidade.

Pensei em três anos da minha vida e atestei que o gosto acaba. Não sem antes deixar um ranço ou um gosto de quero mais ou os dois. Depois, o gosto acaba. Com sensação de ter sido longo, dolorido, colorido em uma escala de cinza à vermelho, porque do branco de xícara ao preto do café não serviram para nós.

Com uma sensação de fracasso em sintonia com a superação de todos os limites de alguém que ama, sina de quem quer romper as amarras que ainda me prendiam a você, todos os nossos laços imaginários, desfeitos.

E quanto a este vazio, eu darei um jeito.

“Para estar junto não é preciso estar perto, e sim do lado de dentro”. Leonardo DaVinci

7 de novembro de 2009

Se...

Acho que só consigo ser romântica em relação a ele. E sonhar, acordar chorando. E pensar nele o dia todo, conjecturar sobre nossas vidas sem sentido.
Sentido mesmo é o que eu tenho quando ele está perto, quando está na minha vida. Acho que devo ter uns dez, cinco não dariam conta de tamanha descarga emocional.
Hipérboles à parte, ele sabe bem o que provoca em mim. Sabe que apesar de tudo, eu seria ousada o suficiente para aguentar viver um pouco mais só para ficar ao lado dele.
E ontem eu o vi, ele foi me ver. Estava assim, um pouco mais magro, vestido em uma camiseta vermelha, da mesma cor que devo ter ficado quando lhe vi. Reparei em alguns fios brancos, pensei em quanto o tempo passava pra nós, o tempo não havia parado como eu supunha.
À noite, sonhei, sonhei e ele era o velhinho de cabeça branca sentado na varanda ao meu lado. Éramos dois velhinhos nada românticos; ranzinzas, até!
Eu só não entendo o porquê dele aparecer na vida, agora que parecia estar tudo bem...Não entendo o porquê em ficar marcando território. Se ele não me quer, eu não quero saber da vida dele. Nada me importa, se ele não me quer.
Mas nós seremos felizes, meu amor.
Seremos. Seremos enquanto serenos...
Este tal amor é mesmo um descanso na loucura.