28 de janeiro de 2010

Mode on

Nem sempre é hora de acordar. Quando desperto, nem sempre é hora de levantar. O dia foi assim hoje, depois de apertar cinco vezes o botãozinho da soneca do celular, cobrir a cabeça com o edredon, de tomar o resto da água da garrafinha que deixo na cabeceira da cama, era tarde da manhã e eu já sabia que não deveria levantar pra vida.
Um almoço, um suco de laranja, sorvete de sobremesa. Uma passeadinha no shopping antes do trabalho. Chocolatinho, um só não, dois. Dois chocolatinhos: um meio amargo, um ao leite. Dia do mês em que a mulher fica in lust, mas ao contrário. Mais ou menos assim.
Hora do trabalho: roupa, cabelo, maquia, maquia, maquia.
Neste dia de emoções meio exageradas, chego do trabalho e ainda sinto uma vontade de limpar banheiro, com muita água sanitária, lógico. O produto mais eficiente do mundo, nestes dias acho que água sanitária é o mais eficiente e o menos valorizado dentre os produtos de limpeza, até rolaria uma identificação não fosse a reação entre ela e minha sinusite.
Torna-se místico o ritual de limpeza de um banheiro, quantas mulheres lutaram por igualdade de direitos, condições de trabalho dignas, para que eu, hoje, pudesse fazer meu spa frente ao seu fugere domicilium, uma afronta!
Já é tarde e preciso voltar ao lugar de onde não deveria ter saído: minha cama. Salvaram-se todos e ninguém saiu ferido durante meu dia de tensão. Só tensão porque eu não gosto da sigla completa, eu a odiei durante todo o tempo em que estive acordada hoje. Enquanto procuro pelo último chocolatezinho dentro da bolsa, pelo menos sei que o banheiro está limpo.

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