A passagem comprada, a mala pronta e lá iria eu para um carnaval combinado na mesa do bar. Carnaval combinado depois de umas quatro ou cinco cervejas se acaso não houvesse nada em Londrina.
"Então vamos." Foi o que eu falei na convicção daqueles que colocam fé no improvável.
Claro que não era improvável, a cidade dos quarenta graus, dos defeitos e efeitos que dão samba, eu iria e era finito.
A cidade do samba que sempre esteve no topo da minha lista de viagens realizáveis. Brasileiríssima da gema.
Antes de partir, a ansiedade foi inevitável. Acordei às quatro da manhã com dor de estômago e febre. Pousar em Congonhas sempre me preocupa, pousar no Santos Dumont me animava.
A ponte aérea deu-se enquanto eu ouvia o canal de Bossa Nova preparado pela companhia aérea e à primeira visão do Rio, o Samba do avião foi o primeiro clichê a me fazer arrepiar.
Depois vieram os arrepios ao ver cada um daqueles montes, morros, pedras, favelas, prédios, igrejas. Arrepios por sentir o clima de carnaval em cada uma das pessoas nas praias, nos condomínios, à entrada das favelas, nos parques e nas ruas. Todos fantasiados com ao menos um adereço.
Receptivos, felizes, bocas-sujas, amorosos - foi a impressão do povo carioca. E eu comecei a achar o sotaque deles a coisa mais linda deste mundo. Percebi a discrepância entre Copacabana com sua farofa carioca e o Leblon com seus meninos a la Felipe Dylon.
Também me senti muito paulista, sendo paranaense. E muito, muito gringa mesmo!
Não bronzeei porque a ausência de melanina não me permite tamanha estravagância, mas bebi com e como os cariocas. Subi o morro do Corcovado porque precisava me sentir turista. No entanto, me senti em casa sob os arcos da Lapa, com o samba, com as batucadas, com a luminosidade que dá colorido aos olhos e faz brilhar aquela cidade.
Dei adeus ao Rio com vontade de ficar. Na certeza que foi muito melhor que o planejado e cheia de saudades de cumprimentar todo mundo com dois beijinhos.
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