Você poderá chegar sempre, na ponta dos pés ou à ponta pés, contanto que me faça os aconchegos aos quais não poderei me habituar nem por um milhão de vezes e que, no entanto, sou incapaz de desabituar. Mesmo que os anos recaiam sobre nossa existência, chegue sempre para pesar sobre o meu corpo, para que eu descubra com a ponta dos dedos, palmas das mãos e com o corpo todo as saliências do seu corpo. Que eu me descubra em você infinitas vezes.
Quero ser você, ser os seus porquês, enquanto você toca meus cabelos ou segura com firmeza minha cintura. Quero olhar nossas desproporções, contemplar seu corpo moreno, sua força e a capacidade em ser aquilo que mais amo.
Quando chegar, pense que eu posso ser levada pelo vento e, em um gesto costumeiro, arranque e deixe que ele carregue minhas roupas, me segure desde a lateral de minhas pernas, deslize as mãos pelo meu corpo e me faça sentir viva, faça com que eu esteja com os pés no chão estando totalmente em órbita, entrelace-se comigo e me ensine tudo aquilo que eu não sei.
Quero ouvir seu sorriso enquanto reclamo que não consigo dormir ao seu lado, quero a falta de paz, o desassossego inconfundível no choque de nós dois, eletricidade particular.
Teremos certeza, mais uma vez, que nossos beijos podem aplacar todo o medo, toda a dor, toda a fome. Poderemos ser novamente tudo que quisermos. Um do outro.
Traga uma história para me contar depois do amor, prepare uma canção ou um poema que desvie a minha atenção, me faça esquecer, por instante, que todo o amor do mundo cabe em mim.
Sem mais delongas, venha urgentemente.
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