Não preciso de motivo para ir à livraria. Não preciso de dinheiro para permanecer ou para bisbilhotar entre suas estantes, para folhear as revistas ou para me sentar e ler sobre o assunto que eu bem entender.
Gosto de rodar aquele display de cartões ou passar por todas as sessões, um por um dos mundos paralelos que existem em uma livraria.
Julgo um bom hábito estas minhas visitas constantes à livraria. Aliás, todo bom hábito é aquele que é praticado não pela necessidade humana em gabar-se: "Eu malho três horas por dia para manter a forma", "Eu mantenho uma alimentação saudável" "blá, blá, blá"; puxar um banquinho e me sentar em frente à uma prateleira de biblioteca, sebo ou livraria é um prazer feliz e solitário, não é o único: consigo a mesma proeza quando aproveito o fim do dia para ir ao cinema, coisa que faço muito bem sozinha.
Fundo reinos na livraria, podem acreditar que sou amiga até do controlador do circuito interno de tevê?
Já encontrei muita gente, já conheci muita gente e já tomei inúmeros cafés, já li Dostoiévski, Sexo lacrado da Nova e até os Gibis da Tina; só porque me sinto injulgável nas minhas visitas diárias à livraria.
E tem o cheiro de livro e todas aquelas prateleiras e a sensação de tempo que para.
Quando os livros me dizem que não estou sozinha, eu gosto tanto da minha solidão.
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