Não é um texto que você lê. Você pode estar em meio ao trabalho, num consultório, numa redação de jornal, no salão de beleza ou na sala de embarque do aeroporto. Você está lendo a atualização da vida.
Eu, aqui do outro lado, separada temporal e fisicamente de você, tentando escrever pela quadragésima vez. Tentando reciclar papéis com garranchos, tentando agarrar cada um dos pensamentos e dos sentimentos que aparecem em mim e que me fazem transbordar coisas que nem sei nome.
Isso não é um texto e eu só estou escrevendo sobre amar alguém. Fique bem claro.
Não quero supervalorizar minha alegria e causar inveja a quem quer que seja. Quero refletir sobre a mesmice que foi minha vida até então. Mesmice tem seu lado bom, mas a minha alegria tem sabor de descobrir o melhor gosto do mundo.
E eu quero ser sentimental porque não consigo aceitar minha racionalidade. Quero amar porque só aceito a felicidade que vem de dois corpos se completando, quero ser sempre intensa para sentir que não estou morrendo.
Vou contar para todo mundo que eu fundo minhas estórias e confundo meus amores, aplaco minhas dores e fico cheia de esperança de tempos em tempos que é só para gostar mais da vida, esta é minha atualização.
Isso é a minha vida exposta em algumas linhas. É vida que abandona cicatrizes e passado só para poder seguir um novo amor. É vida que procura vida pulsando, alegrias latentes. É vida de recomeço.
Eu que não quero cometer erros passados, escrevo para me lembrar. Lembrar-me da dor e da ausência. Certificar-me que a presença é júbilo, é estado de graça.
Tudo só para perguntar:
"Posso amar você?"
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