25 de agosto de 2010

Faltou

E porque ninguém entende eu nem me sinto na obrigação de explicar. Você e eu não fomos nós, nós assim terceira pessoa do plural, nós pra conjugar todos os verbos. Nós nunca combinamos a não ser em encaixe de corpos, fomos tão inconjugáveis.
Sem nunca ter sido, você se foi. Sem ter ficado aqui.
Mas e daí que sinto falta de você querendo cuidar de mim. Não sei. Sinto falta de querer cuidar de você. Falta daquela dorzinha gritando no peito de quando você tinha que ir embora, tarde da noite.
A ausência do seu otimismo também dói. A ausência das minhas endorfinas alegorizadas em barras de chocolate, a falta que faz ouvir os versos de algum poeta, versos decorados em véspera de vestibular.
Eu sinto falta de olhar o celular e ver uma mensagem sua. De sorrir debilmente. E sorrir só de lembrar, estando em um ônibus com milhares de aparelhos telefônicos tocando Calypso. Nada poético, só a sutileza de sorrir por viver a minha vida.
E chega a dar nó no peito a vontade de contar as novidades, as pessoas estranhas que conheci, a matéria que li e diz que oitenta por cento das mulheres não conhecem um orgasmo e fazer com que isso renda uma bela discussão de caráter fisiológico e carnal.
Quando ninguém entende como posso amar alguém assim tão simplesmente, pode ser porque todos saibam mais que eu sobre este negócio de amor. Pode ser que eu sinta falta demais, mesmo daquilo que não é, que nunca foi. Pode ser que você entenda porque também sente falta. E daí? Continua não tendo ninguém aqui.
Só é estranho sentir falta de alguém que me faria desistir de tudo e, de repente, ter que desistir desse alguém. Mas vou desistir de quê?

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