2 de setembro de 2010

Ao amor

Quando ela teve sua primeira crise de pânico, havia passado vestibular e tinha medo de morrer no momento mais feliz da sua vida. Não queria atravessar a rua, numa espécie de dejavù do mal, sua mãe segurou na sua mão, sentou-se na guia da avenida movimentada e disse que estava tudo bem, estava tudo bem. Foi a primeira e a única crise, porque ficou tudo bem.
Quando amou pela primeira vez, sentiu aquele turbilhão de clichês. Amou de verdade, patologicamente. Amou ao ponto da transfiguração, amou e esteve irreconhecível. Sofreu e porque era para ficar tudo bem, ficou.
Foi assim também no primeiro exame ginecológico, tudo bem. Primeira habilitação, tudo bem. Visto, ok. Viagem sozinha e entrevista de emprego. A primeira pessoa que teve que demitir, tudo esteve bem porque deveria estar bem.
E porque inúmeras vezes ela sentiu o quanto é ruim ser adulta e ter que resolver seus problemas, mas não ter mais medo de ter os pais chamados na escola, mas não poder sacudir o pai quando o caroço de arroz vai pro "canal errado" ou a mãe quando era a hora do "acabei, mãe".
Mas ela sabe e sente a beleza de ser o que é, de ter seus caminhos marcados por gente que sempre a ajudou, pelos amigos que foi colecionando na vida e pela felicidade estranha do nó na garganta quando pensa em quem lhe quer bem. Tudo sempre fica bem porque tem amor demais na vida dela.
E tem amor demais sobrando neste coraçãozinho. E tem amor demais para você. Por isso, hoje é dia de lhe dizer que tudo ficará bem. Haja o que houver.



1 comentários:

  1. Lindo esse texto Reeh, muito verídico tambem, afinal tudo fica bem (:

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