terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

O pulso ainda pulsa

Esta
maldita profusão
de coisas
que não se pode
engolir 

Costumava haver
certo motivo
razão
causa
ou
circunstância
pelo que velar

Era de costume
sempre olhar
para trás;
para atravessar 

Há agora
ainda
um amontoado
de entalhos
que não se desprendem
presos 
nesta garganta amarga
que saliva e regurgita
este veneno 
que agora lês

E pulsa
nesse movimento
em contrassintonia
à vontade de gritar
até estancar a ferida

Não há nada pelo que
olhar

Não há faixa
segura
para pisar

Não há
mão
para
segurar 

Há somente
o maldito
espaço
entre
este
insosso 
desgosto de me ser
e o que ainda é incólume

Estas palavras
e farpas
que voam 
soltas
em mim.

Nenhum comentário:

Postar um comentário