terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Sejamos o que somos

Que a gente nem sempre
Tenha que gritar
pra ser ouvido
Tenha que chorar
pra ser acolhido 
Tenha que morrer
pra ser percebido

Que a gente nem sempre
tenha que viver de aparências
que não pode bancar
Ou
Conviver com pessoas que
não sabem amar

Que nem sempre
A gente tenha que sorrir apertado
Pra esconder o buraco
No peito, na alma

Que a gente não tenha sempre
Que lutar contra a força de si mesmo
E se forçar a ser menor do que é
Só pra caber no que os outros
esperam 

Que a gente não tenha que murchar
a barriga
Não tenha que esconder
as cicatrizes
Não tenha que tatuar por cima
pra apagar o que não quer que os outros lembrem

Que a gente não tenha nunca mais
que prender o choro até chegar em casa
E chegar tão cansado que mal aguenta chorar

Que a gente não tenha que
maquiar o rosto pra mascarar
o choro

Que a gente não precise
Nunca mais
Declarar o amor que não sente
E disfarçar as marcas na alma
Do amor que sentiu

Que a gente não se esqueça
De esquecer de fazer todas essas coisas

Que nunca mais precisemos
Usar a cinta apertada
A maquiagem marcada
A cintura bem alta
Tudo para disfarçar o que incomoda os outros

Que a gente não guarde o nosso aperto
pra sentir o dos outros

Que a gente nunca mais
acredite que vale a pena 
ser o que não somos
crer no que não cremos
viver se não queremos

Que a gente não tenha
Não precise 
Não queira
Não faça
Nem agora
Nem nunca mais

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