24 de novembro de 2010

distante

Quantas vezes eu ainda precisarei escrever isto para me dar conta que nada deve existir entre nós dois? Somos díspares, arroz e feijão que já não combinam mais.
Você é o que não vale a pena para mim, mas que eu teimo em manter na vida - sei lá o porquê de tudo isso, tanto amor pra nada, coisa sem razão - pedra rolada.
Sem você tudo fica como é - dias nebulosos, madrugadas longas e pés gelados. Já cansei de imaginar minha realidade fantasiada de você.
Meu amor, eu já não sei o que fazer...

5 de novembro de 2010

Remorsozinho

Então eu entrei no seu carro, joguei a bolsa no assoalho e disse "foge!", vamos pra algum lugar bem longe daqui, vamos para onde só haja nós dois, mais uma vez, entrei impondo minha presença na sua vida, mas tive o cuidado de entrar com o pé direito que era pra perder o equilíbrio e quase sem querer esbarrar os meus lábios nos seus.
E se eu lhe peço pra fugir é porque esta palavra grita dentro de mim, é porque o que eu sinto foge à qualquer tentativa de controle. Se fugimos é só para escolher o caminho mais fácil para a felicidade que o resto da humanidade almeja.
Se a gente se beija e se ama é para que no outro dia eu possa sentir aquele remorsozinho que você me traz só em pensar que eu queria fugir com você por todos os dias da minha vida. Sinto um remorsozinho em ser o que eu sou, cada dia mais sem máscaras para você; remorso em não ter frescuras nem paciência. Remorsozinho no sentido mais gráfico da palavra: remorso+sozinho, gargalhar e chorar ao-mesmo-tempo-agora só por me dar conta que esta noite eu não vou fugir para comungar dos meus prazeres de viver com você.
E eu sei tão bem quanto você que a cada dia tudo se faz melhor porque o fim pode estar mais próximo, um fim de fugas, mas também um fim de remorsos. Só mais um fim, por um só fio, nas nossas eternas só mais uma vez.
Antes que tudo termine, antes de estarmos de novo sozinhos, vou deixar que minha voz e meu corpo gritem aquilo faz mais remoer e doer o meu remorsozinho - esperar que você me pegue no seu gesto costumeiro e, chegando com pequenos beijos bem pertinho a um de seus ouvidos, possa sussurrar: eu amo você.

3 de novembro de 2010

Esteira ergométrica

Olha, não sei se você se lembra de grandes coisas desde que começamos esta história maluca, que já durou muito mais que poderia imaginar até a mais otimista ou mais apaixonada das pessoas; às vezes penso que sua memória se concentra naquela minha bebedeira horrível ou no dia em que lhe disse tchau porque realmente pensava que nunca mais iria lhe veria na vida.
Eu pensei que a vida da gente era uma linha do tempo, até conhecer você. Uma simples e contínua linha: do maternal ao PhD, da inocência à sacanagem ou do nascer-reproduzir-morrer. Mas você veio para mudar tudo, você sempre me pareceu isto, mas só o que mudou foi minha ideia de linha da vida.
Quantas noites já se foram? Eu nem consigo mais contar, assim como não sei medir quantas saudades já senti, nem contabilizar quantas histórias já quis contar para você quando já não estava mais aqui...Nem sei o quanto já te odiei ou ao menos quantas vezes escrevi seu nome naquele vapor que se forma no box do banheiro.
O amor já aconteceu para mim e é só isso que posso ter certeza quando eu lhe vejo. Ou quando acordo e quero voltar pro mesmo sonho porque eu estava xingando você no cara-a cara. O amor acontece para mim toda vez que você cede aos desejos que não são só meus e quando eu ouço sua risada e sua voz em mim.
Do tudo que aprendi neste tempo, das coisas que guarda minha memória, nada é mais relevante do que ter descoberto que o amor é um tanto quanto carnal. E carne pode ser voz ou língua, músculos, dedos ou carícias; mas o nosso amor é sempre carne.
Mas esta história maluca, repleta de carnes, noites, tanta linha do tempo pra tanto amor me faz sentir um remorsozinho só meu.
Remorso de não ter você sempre por aqui, remorso de ver que todas as outras pessoas no mundo conseguem seguir em frente e nós não. E se a vida está seguindo e todos os movimentos naturais tendem ao desenvolvimento, nós continuamos assim: andando como dois bobos em uma espécie de velha e lenta esteira ergométrica do amor, sem nunca sair do lugar, sem aumentar a velocidade nem diminuí-la, em um velho hábito de quem não quer mudar absolutamente nada.
Sei que daqui algumas semanas estarei habituada a não ter você tão forte em meus pensamentos, talvez lhe escreva um texto ou dois, alguma coisa ficará na memória, alguma amiga perguntará "em que pé anda nós dois", nada sério, mas a ergométrica do amor ainda estará aqui...Até que a gente decida parar de patinar tanto assim e deixar que a vida volte à sua normalidade.

Amanhã que é dia dos mortos...

Em verdade o dia dos mortos foi ontem, mas é impossível não pensar no primeiro verso do poema de finados do Manuel Bandeira toda vez que alguém me diz "olha que legal, feriadão de finados", primeiro que não é um feriado legal pra quem visita cemitérios nesta data, aquele peso de morte típico de cemitérios, aquelas flores e cruzes e santos. Acho que deve ser legal comemorar finados com os mexicanos, o catolicismo deles tem um pouco menos de culpa cristã.
Mas não é que foi um feriado legal?!!!
Acho que teve muita vida, muita risada e pouca, bem pouca, culpa cristã.