11 de abril de 2012

Sem nenhum caráter

Parece que a tremedeira nao vai passar. Ele é seu amigo. Não dá para acreditar. Agora sim entendi por qual razão as pessoas se tornam amigas: umas são caricaturas das outras. A tremedeira parece um orgasmo do mal.
Sempre imaginei que caricaturas fossem parecidas fisicamente - ele não é nem um pouco você - mas, por vários momentos, durante a nossa conversa, eu senti você. Senti também que o físico não é nada quando o assunto em questão é o seu fantasma em mim. Tudo era você. A sedução, o ar carregado por sua presença, a voz forte e imponente que batia e reverberava no meu estômago. Aí ele citou o seu nome. Sim, seu nome com todas as letras. Nome e sobrenome. Nome e profissão. Seu nome com érre retrofexo, seu nome com o meu sotaque. Sotoque da terra onde você escolheu para morar. "Você conhece ele?" - a pergunta veio como uma invasão na linha de raciocínio que já estava instalada na minha cabeça. Invasão - como você fez em minha vida, como fez com meus sentimentos, como foi mesmo que o seu nome apareceu nesta conversa com o meu desconhecido e seu conhecidíssimo?
Ele não é tão desconhecido assim. Ao dito popular: "o mundo é um ovo". É mesmo. Na verdade, foi a segunda vez que o vi. Foi a primeira vez que ele me falou de você.
Falou mesmo. Até os detalhes da sua vida sexual. Me contou o que eu já sabia, que você tinha terminado com a namorada, segundo ele, você agora é um Highlander - só digo que isto é a sua cara, meu caro!
Como uma caricatura feita por algum hipie em beira de praia, a sua caricatura que me pareceu hoje tem muito bem marcadas as suas piores caractrísticas, inclusive a astúcia. No momento em que pronunciou o seu nome, percebeu o quanto aquela conversa me deixou transtornada.
Eu ruborizei, como sempre eu ruborizei. Ele perguntou o que eu achava de você, disse que você era um cara legal. Neguei sua existência em minha vida. Ele percebeu, me pegou mentindo. Perguntou se era eu a ex namorada. Neguei. Então, louca para me livrar da conversa, passei uma desculpa esfarrapada "ah, ja está na hora do meu intervalo. Sabe como é shopping?!? Tudo corrido...tenho que ir...". Ele, caricatura perfeita da sua pessoa, soltou antes que eu escapasse pela tangente: " Cadê aquela calça que você estava usando na outra vez que te vi? Melhor você não marcar bobeira perto de mim!"
Não sei se foi ódio, se foi desejo ou se foi saudades de um tempo que já acabou, mas naquele momento e pelo resto do dia eu só gostaria que a cantada machista e ridícula tivesse saído de outra boca.
Desejei somente que ele fosse você.

25 de janeiro de 2012

um pouco

Às vezes sinto falta dele, tanta falta, em um milésimo de segundo.
Hoje vi uma foto de kichute. Lembrei de quando ele deu um pro meu irmão, dizendo que fora a chuteira que ele usou na infância e que a fábrica er em Londrina - até hoje não sei se é, algumas coisas prefiro manter naquele espaço em que criei para armazenar todas as coisas do meu pai.
E de todas as vezes que ele se atrasou e de quando me fez pensar que no Makro não podia entrar crianças. Dos morangos, dos kinder ovo, da amizade perdida.
Ele não estará mais aqui. Mas lembrarei de tudo isso e muito mais quando vir a foto do kichute.

10 de janeiro de 2012

conto moderno

É muita intuição. E ela não falha. Muito facebook dando pitaco na vida, amigos em comum, você pulando na minha cara toda hora e eu naquela gana de, se tivesse forças e oportunidade, te esganar.
E eu achando que você está com o meu homem, aquele que me deixou com o coração partido e que deixará o seu em frangalhos também, mas nem sei se estou fantasiando ou não.
Não sei como encontrar você, não sei como te dizer que na testa dele deveria estar escrito: "perigo, não se aproxime". E você não deveria se aproximar, se tem amor aos seus dentes.
Mas é muita intuição e são muitos amigos em comum que nada sabem da sua vida (sim, eu já especulei!), serei a última a saber? Mas devo saber de antemão, a intuição não falha e homem gosta mesmo é de mulher burra, enganável.
Também sou burra de vez em quando, fui burra por ele, sou burra somente por ele. Se você é burra naturalmente nâo vai nem sentir.
E você dá pistas, é daquelas que tá catando, mas ninguém pode saber. Pô, vocês não trabalham juntos mais, se ele estiver com você, assume logo esta porra e faça sossegar minha curiosidade e intuição. Faça meu chão abrir de novo, faz ele te trair comigo, faça com que eu pense que ele vai casar com você, me traga noites de sexo quando ele fugir de você e da sua implicância de namorada ciumenta.
Mas pelo amor de Deus, se assumam no facebook!

17 de dezembro de 2011

Tô preparando tudo aguardando você chegar, tá tocando todas aquelas cantoras inglesas, tô esperando você. Tô cuidando do coração sim. Tô me alimentando direito, quer dizer...mais ou menos...você sabe como eu sou quando você não está. Fico projetando você estar aqui pra ver a tatuagem nova, pra perceber que ainda não consegui deixar as unhas crescerem, pra reparar que meu cabelo está mais ruivo e meus seios um pouco maiores, mesmo eu estando um pouco mais magra, para tocar nas minhas costelas, para eu me sentir feita das suas, minha carne, minha alma.
Ando ouvindo umas coisas tristes, tô precisando do som do seu sorriso, nem lhe falei que conheci várias coisas legais nos últimos tempos, tô preparando uma viagem, vai comigo?
Fiz um filé mignon com damasco que aprendi naquele bar que te fiz conhecer, vamos ter um bar algum dia? Acho que está na hora de render-se aos prazeres do agridoce. Tá chegando o Natal, vem me fazer feliz? Vem me fazer sentir i-lu-mi-na-da?
A cada manhã, o coração esperando você chegar. Coração apertadinho a cada dia que se vai. Cabeça que dispara e para de raciocinar a cada sinal seu, corpo que sente você em sonhos, sua barba, seu cheiro, sua respiração.
Nos meus sonhos você já está aqui e eu não preciso mais esperar.
Não é preciso esperar, não é sonho, é vida, é vã e vão. Você não virá.
Mas o amor insiste em não ir.
Tô ouvindo Adele, tô ouvindo e sentindo aquele apertozinho no peito que é a sua falta aqui. Talvez você não saiba quem é a Adele, nem o que aperto no peito ou não mais se lembra quem eu sou.
Era.
Eu era, já não sou. Não sou mais loira, nem tão insegura, nem sóbria ou tão correta assim.
Onde foi que perdi? Onde me perdi?

Eu não devia te dizer, mas esta lua, mas essa cerveja e essa música, botam a gente comovido como o diabo.

26 de setembro de 2011

Tô sem nexo

Sabe eu tenho uma doença meio grave.
É que eu amo demais, faço tudo amando demais...dizem que é coisa de signo. Dizem também que Freud explica; dizem, principalmente, que não faz bem. E eu amo, amo, amo, amo mais que tudo, mas do que a mim mesmo.
Se é coisa de signo, o signo Rejane deve ser repetitiva e monotemática. Se é coisa de Freud, haja Édipo-Rei para explicar, se é coisa de amor: deixa estar...
Ah, já faz tanto tempo que nem sei mais como começou ou o quanto ainda pode durar, o amor chegou aqui e eu sou a mesma chata "réptiltiva" desde então, atrás de uma mesma presa, com pressa de amor, com fome do seu amor.
Há tempos eu não escrevo porque você sumiu, há tempos eu não vivo só porque você sumiu. E os meus sintomas são todos desconexos e a minha cura eu nem sei mais onde está.
Sou tão chata quanto uma música do Legião Urbana que me veio à cabeça, enquanto eu escrevia tudo isso aqui.
Então é melhor desconsiderar os sintomas, ouvir uma outra música bem alegre e fingir que nada disto está acontecendo...
Afinal, quem suporta ser um álbum todo do Legião Urbana?

11 de junho de 2011

Sexo, chocolate e outras drogas

Então é dia dos namorados e o que você fez? Parafraseando esta linda frase da cantora Simone, tem início este texto que procura desesperadamente por um lugar naquele limite tênue entre o recalque e a felicidade de quem passa esta data comemorativa em modo forever alone.
Que sexo é bom todo mundo sabe, que namorar é bom também, ainda mais neste tempinho frio, porque aqui neste Brasil, se tem uma coisa que não queremos importar é o valentine's day, ou alguém aí quer trocar o carnaval por um jantar à luz de velas e balões (formato de coração) de gás hélio? A realidade é, graças as entidades de fizeram de nós este povo latino e quente por natureza, o sexo é tão natural quanto a lambada ou a boquinha da garrafa, embora eu reconheça ser o amor uma outra coisa.
Há tempos estou devendo a um amigo um texto que fale sobre chocolate, pois bem... O chocolate é artigo decorativo em milhares e milhares de cestas de dia dos namorados, são só pedacinhos enrolados em papel metálico (de preferência vermelho, de preferência chocolate belga ou suíço) dispostos irregularmente entre perfumes importados e camisetas da Calvin Klein. Se alguns acham que relacionamento feliz não precisa de chocolate, eu sou defensora da causa que todo relacionamento com gostinho enjoativo de leite ninho com água precisa de um chocolatinho (pode ser suflair) derretendo entre dois corpos.
Por falar em sexo (não é só sobre isso que este texto fala?oi?) aquela droga de amor também vicia. Vicia tanto quanto um trabalho legal e bem remunerado. Vicia mais do que chocolate. Acho que amor devia se chamar oxi. Amor bem assim amiúde, daquela fissura que teima em não cessar.
Amor é outra coisa. Só porque tem amor tudo isso faz sentido.
Então, se você ama aproveite as flores, os chocolates, os milhares de corações inflados em gás hélio, a fila quilométrica na entrada no motel, o perfume novo, a lingerie e a camiseta Calvin Klein. De quebra, tenha o melhor sexo da sua vida.

15 de abril de 2011

vou contar

Eu não vou contar a ninguém.
Eu não vou contar a quase ninguém que fiquei bisbilhotando sua vida, estive investigando tudo o que minha intuição me mandou e encontrei mais do que ela seria capaz de sentir.
Encontrei mais do que qualquer um dos meus sentidos poderia prever, só pra sentir um pouco mais.
Um pouco mais daquilo que não há, um pouco mais de ausência.
Eu também não vou contar a ninguém que eu amo você. Nunca mais, não por hoje, não por todo este ano que mal começou, não até o fim dos meus dias.
Onde está minha água? Eu preciso de água, de ar, de terra e de algum medicamento que me mantenha firme quando minha intuição encontra você.
O mais difícil não é apagar o que não há, é tirar o que há de você dentro de mim. E isso não consigo esconder de ninguém.

5 de abril de 2011

do mesmo amor

Depois de dois anos você apareceu para que eu mudasse todo o meu conceito de amor. Você realmente pensou que eu não suportaria. Pensou que havia fragilidade onde há fortaleza e também se enganou quando disse que havia um peito de aço onde é só insensatez. Eu não acho que posso resolver tudo sozinha, meu amor, e você já sabe disto. Eu não aguento ver você angustiado, não aguento olhar em seus olhos quando sei que as coisas não vão bem e, em hipótese alguma, me imagino longe de você. Acho que você também pensou que nunca seríamos assim, tão próximos, tão cúmplices. Eu não pensei que amaria alguém assim. Você não pensou que seria amado como amou - embaraços particulares, sem que ninguém se sinta na obrigação de nos entender. Se eu fico preocupada é porque eu lhe procuro nos meus sonhos, nas ruas, na mensagem que você mandou no celular - o dia fica mais bonito - você fica mais bonito; sempre, sempre.E eu adoro quando me faz rir só por pensar, só em sonhar com você - andei sonhando em inglês - a gente fazia uma festa numa casa linda e eu tomava sex on the beach - foi um sonho engraçado, qualquer hora conto com os detalhes sórdidos. Eu me assusto sempre quando penso em você ou quando sonho com nós dois ou como no primeiro dia que você disse que me amava. Me sinto abençoada pela maldição de também amar você e de ter que dizer isso com tanta frequência. Porque amor é assim, vem chegando sem pressa de ir embora, ecoando em mim, eu te amo no seu ouvido, amo, amo, amo...E isso nos faz tão fortes.

6 de janeiro de 2011

Conversa atrasada

Estou esperando por uma caixinha azul. Imagine você uma simples caixinha azul - azul cor do céu, um céu naquele dia sem nuvens. É claro que cor do céu é a cor mais indefinível que alguém pode sugerir em um texto, tente imaginar uma caixinha que não esteja cinza de chuva ou multicolorida - de pôr-do-sol. Trata-se de uma caixinha azul, meio Tiffany's, sem que eu espere por isto tão já. Eu somente espero uma caixinha azul.
Espero por cabelos vermelhos comprados em farmácia, espero por um ruivo natural, sem aquele aspecto acajú, sem querer parecer a miss pomba gira 2011. Só um novo tom para um ano novo.
Eu andei esperando para ligar, andei desejando desesperadamente ter você para tomar um sorvete no dia de folga, andei vestindo aquela roupa mais fresquinha e acabei com o ar condicionado do carro ligado, vagando sem rumo pela cidade, só porque você nunca me deu a chance ou a certeza de que iria comigo à sorveteria.
E por me negar, neguei tudo que eu quero. Por negar tudo que quero, estive esperando. Por esperar, a conversa entre nós sempre esteve atrasada. Por estar atrasado, agora não vale mais a pena.
Andei aprendendo que só posso ter uma coisa de cada vez. Amor, paixão é coisa que fica no sorvete que não tomamos juntos; fica no cabelo que não pintei porque não sabia se te agradaria e fica na caixinha azul que nunca abriríamos juntos.
Amor fica aqui no fundinho, lá onde se esconde a cura, exatamente atrás deste nó na garganta que teima em não sair.
E eu sabia que esperar era perigoso, só não sabia que doía tanto e por tanto tempo.